Hoje se comemora, em várias partes do mundo, o Dia Internacional da Mulher. Um dia apenas, entre outros 364 , dedicado à mulher. Parece incrível, mas em pleno século 21, a mulher ainda é vista, em muitos lugares, como uma cidadã de segunda classe, sujeita a salários mais baixos, relegada a mero objeto sexual nas propagandas voltadas ao público masculino, e vista com desconfiança para exercer certas profissões ou funções ainda consideradas "masculinas".
Lamentavelmente, esse padrão se repete também dentro das igrejas, onde as mulheres são impedidas de participar da liderança ou de exercer determinadas funções, usando como argumento alguns textos bíblicos fora de seu contexto cultural.
Jesus sempre tratou a mulher como sendo igual ao homem. Ele não deixou de falar com elas, apesar do preconceito da época impedir os homens de se dirigirem às mulheres em público. A Bíblia relata inúmeras situações em que Jesus é visto conversando com mulheres, deixando-se tocar por elas, ensinando-as, restaurando-lhes a dignidade. Alguns argumentam que, embora Jesus reconheça o valor da mulher, os discípulos eram todos homens, indicando que as mulheres estariam excluidas da liderança da igreja. Mas, é preciso levar em conta o contexto cultural da época antes de se chegar a esta conclusão. Numa sociedade em que a mulher não tinha direito à estudos e estava sujeita à tutela do homem (inicialmente do pai, depois de casada, do marido) Jesus não tinha como colocar uma mulher entre os Doze. Mas isso não significa que não havia mulheres entre seus seguidores. Jesus não só gastou tempo ensinando Maria como incentivou-a a permanecer aos seus pés, aprendendo dele, em vez de se preocupar com os afazeres domésticos ( que, de acordo com o padrão da época, caberiam a ela).
Ao olhar para esse episódio, fiquei pensando: Hoje a situação é diferente? Tenho lido alguns artigos em sites e blogs de conteúdo evangélico que refletem essa mesma realidade. Alguns defendem que as mulheres devem permanecer sob a tutela masculina "para sua proteção", e nos casos de violência doméstica, devem orar para que Deus toque no coração do marido. Dar parte na Delegacia da Mulher? Isso pode humilhar o homem!!!! O melhor a fazer é orar.
como estamos longe do modelo que Deus nos deixou...O padrão de Deus para homem e mulher é de parceria, de apoio, respeito e sub-missão mútua (ambos sob a mesma missão).
Para terminar, não podia faltar poesia no dia da mulher. Assim, deixo aqui uns versos de Cora Coralina, uma mulher do nosso tempo, que dedicou mais de 60 anos de sua vida cuidando dos afazeres de casa, marido e filhos. Mas, durante todo esse tempo, ela foi escrevendo seus versos e gaurdando-os, até ser descoberta por Carlos Drummond de Andrade, que conseguiu convencê-la a publicá-los.
A vida tem duas faces, positiva e negativa.
O passado foi duro, mas deixou o seu legado.
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu saiba dignificar minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
Dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes, aceitei contradições,
Lutas e pedras como lições de vida.
E delas me sirvo. Aprendi a viver.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"Jeitos de amar"
No reino das palavras, uma das coisas que mais me encantam são poesias. Admiro essa capacidade dos poetas de colocar em palavras os sentimentos, as emoções e tudo o que nos toca o coração. É preciso ter sensibilidade para enxergar o sentido que se esconde por trás da realidade das coisas.
Meu poeta preferido é Fernando Pessoa, que considero o maior poeta da língua portuguesa. Mas hoje, gostaria de deixar aqui um trecho de um lindo poema de Adélia Prado, onde ela fala das muitas maneiras que há de amar.
A Bíblia diz, na Primeira Carta de João, que não devemos amar só com palavras, mas com atos e em verdade (3.18). Demonstramos amor não apenas com palavras, mas através de gestos e atitudes que revelam cuidado, carinho, atenção.
Os versos de Adélia Prado falam sobre pequenos gestos, diferentes maneiras de expressar amor pelas pessoas, que valem muito mais do que mil palavras!
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.
Quanto jeito que há de amar.
Orar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear, trocar curativo, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, CDs, brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.
Meu poeta preferido é Fernando Pessoa, que considero o maior poeta da língua portuguesa. Mas hoje, gostaria de deixar aqui um trecho de um lindo poema de Adélia Prado, onde ela fala das muitas maneiras que há de amar.
A Bíblia diz, na Primeira Carta de João, que não devemos amar só com palavras, mas com atos e em verdade (3.18). Demonstramos amor não apenas com palavras, mas através de gestos e atitudes que revelam cuidado, carinho, atenção.
Os versos de Adélia Prado falam sobre pequenos gestos, diferentes maneiras de expressar amor pelas pessoas, que valem muito mais do que mil palavras!
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.
Quanto jeito que há de amar.
Orar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear, trocar curativo, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, CDs, brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O que é pior: rebeldia ou ressentimento?
O livro A Volta do Filho Pródigo, de Henri Nouwen, provocou um forte impacto em minha vida. Sentia pouca identificação com o filho mais novo. Ao contrário, nunca fui rebelde e sempre procurei fazer tudo certinho. Mas, no fundo do meu coração, eu nutria uma certa inveja em relação ao filho mais novo. Inveja por não ter tido coragem de fazer o que tinha vontade, de não romper com as convenções, de ter sempre um comportamento exemplar. Aos poucos, isso foi se tornando um fardo e motivo de ressentimento. Eu podia muito bem entender a queixa do filho mais velho. Ele, como eu, nunca havia se afastado da fé e tinha um bom comportamento. Já o filho mais novo... A alegria do pai ao recebê-lo de volta trouxe à tona velhos ressentimentos. Descobri o quanto a ideia de merecimento estava arraigada em mim.
Veja o que diz o texto de Nouwen: "Aparentemente, o filho mais velho era sem defeitos. Mas quando se defronta com a alegria do pai pelo filho que volta, surge uma onda de revolta que explode, chegando à superfície. De repente, aparece alí uma pessoa ressentida, orgulhosa, egoísta; alguém que permaneceu profundamente escondido, apesar de estar crescendo e se fortalecendo ao longo dos anos". É nesse ponto que Nouwen questiona: o que causa mais dano, a luxúria ou o ressentimento? A seguir ele diz: "Há tanto ressentimento entre os 'justos' e os 'corretos'. Há tanto julgamento, condenação e preconceito entre os 'santos', tanta raiva contida entre aqueles que estão sempre muito preocupados em evitar o 'pecado'..."
O filho mais velho nunca saiu da casa do pai, mas nunca se sentiu amado pelo pai. Nunca soube usufruir das bênçãos da casa do pai... Ele não conseguia se sentir amado e aceito pelo pai. E é aí que o pai demonstra o seu amor por ele, indo ao seu encontro, insistindo para que ele participe da festa. Aprendi que não preciso procurar agradar para merecer aprovação. Que sou amada pelo que sou. Na verdade, o pai ama os dois filhos. Ele vai ao encontro de ambos, e quer abraçar os dois. O mais novo se deixou abraçar. Porém, o mais velho, como eu, precisava aprender que o pai também o amava, de tal modo que dividiu tudo que tinha com ele. Só posso me livrar da raiva e do ressentimento quando eu me sentir amada e pedoada pelo Pai. Como o filho mais novo, preciso ser encontrada e trazida de volta para casa...
Veja o que diz o texto de Nouwen: "Aparentemente, o filho mais velho era sem defeitos. Mas quando se defronta com a alegria do pai pelo filho que volta, surge uma onda de revolta que explode, chegando à superfície. De repente, aparece alí uma pessoa ressentida, orgulhosa, egoísta; alguém que permaneceu profundamente escondido, apesar de estar crescendo e se fortalecendo ao longo dos anos". É nesse ponto que Nouwen questiona: o que causa mais dano, a luxúria ou o ressentimento? A seguir ele diz: "Há tanto ressentimento entre os 'justos' e os 'corretos'. Há tanto julgamento, condenação e preconceito entre os 'santos', tanta raiva contida entre aqueles que estão sempre muito preocupados em evitar o 'pecado'..."
O filho mais velho nunca saiu da casa do pai, mas nunca se sentiu amado pelo pai. Nunca soube usufruir das bênçãos da casa do pai... Ele não conseguia se sentir amado e aceito pelo pai. E é aí que o pai demonstra o seu amor por ele, indo ao seu encontro, insistindo para que ele participe da festa. Aprendi que não preciso procurar agradar para merecer aprovação. Que sou amada pelo que sou. Na verdade, o pai ama os dois filhos. Ele vai ao encontro de ambos, e quer abraçar os dois. O mais novo se deixou abraçar. Porém, o mais velho, como eu, precisava aprender que o pai também o amava, de tal modo que dividiu tudo que tinha com ele. Só posso me livrar da raiva e do ressentimento quando eu me sentir amada e pedoada pelo Pai. Como o filho mais novo, preciso ser encontrada e trazida de volta para casa...
Assinar:
Postagens (Atom)